A Janela do Outro Mundo
Ela encostou-se à janela como quem toca um segredo,
e o vento, cúmplice, abriu-lhe o cabelo
numa dança de constelações antigas.
Lá fora, o céu não era céu —
era um oceano suspenso,
um véu de planetas acesos
a girar como lanternas de um reino distante.
Um mundo inteiro respirava diante dela,
com montanhas de luz, rios feitos de estrelas,
e criaturas aladas que deixavam rastos dourados
no silêncio azul da noite.
Os seus olhos, grandes como luas novas,
beberam aquele horizonte impossível,
e por um instante o tempo parou,
como se o universo esperasse a sua decisão.
Ela estendeu a mão —
e o planeta no céu pulsou,
aproximou-se, chamou-a pelo nome
num idioma feito de brilho e sonho.
E ali, na janela entre dois mundos,
ela percebeu que não era apenas espectadora:
era ponte, era portal, era promessa.
O outro mundo brilhava para ela,
e ela brilhava de volta,
como se o destino fosse um espelho
onde duas realidades se encontravam
para finalmente se reconhecer.


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