A Mulher e a Tempestade
A Mulher e a Tempestade No alto do penhasco, ela surge — silhueta recortada pelo clarão dos céus. O vento ruge como fera antiga, e os raios escrevem runas de fogo no ar. Seus cabelos dançam em fúria, como serpentes despertas pela noite. A tempestade a reconhece, curva-se, treme, obedece. Os trovões chamam seu nome, ecoando entre rochas e abismos. Ela não teme o caos — ela é o caos. Quando ergue as mãos, o céu se parte. Quando fecha os olhos, o mar se agita. E no instante em que sorri, a escuridão inteira se ajoelha. Pois naquela mulher vive um segredo antigo: não é a tempestade que a cerca… é ela quem a cria.