Filha da Noite
Ela caminha onde a luz não ousa, tecida em sombras antigas, nascida do silêncio profundo que vive entre uma estrela e outra. Seus passos não tocam o chão, mas deixam frio no ar. Os lobos a reconhecem, as árvores se inclinam, a lua a segue como serva fiel. Nos olhos dela dorme um abismo, e quem o encara ouve sussurros de eras perdidas. Há tempestades em seu sangue, há segredos em sua respiração. A Filha da Noite não teme o escuro — ela o molda, o dobra, o veste. E quando sorri, até as sombras tremem, pois sabem que não são tão profundas quanto ela.