À Beira do Rio
A mulher permanecia junto à margem do rio, envolta pelo silêncio azul da tarde que se desfazia. O vento tocava seus cabelos como quem lê um segredo, e a água refletia um brilho antigo, quase memória. Ela esperava — não se sabia o quê, não se sabia quem — mas o ar ao redor parecia saber. Havia uma promessa suspensa entre as folhas, um chamado que vinha de longe, como passos invisíveis atravessando o tempo. O rio murmurava histórias de outras eras, de amantes que se encontraram sob luas perdidas, de espíritos que caminhavam entre mundos. E ela, com o coração aceso, sentia que algo se aproximava pela corrente suave que tocava seus pés. Talvez fosse um ser de luz, talvez um amigo de outra vida, talvez apenas o destino chegando com o som da água. Mas ali, naquela margem, o mundo parecia segu...