O Lago dos Flamingos
À beira do lago onde o sol se dissolve em rosa, a mulher caminha com passos de bruma, como se cada gesto fosse um feitiço a acordar a água tingida de sonho. Os flamingos erguem-se, altos e serenos, com penas que parecem pétalas de aurora. Aproximam-se dela em silêncio, reconhecendo no seu olhar a mesma chama suave que vive neles. O vento toca-lhe a pele, e o lago responde com reflexos cor‑de‑rosa, como se o mundo inteiro respirasse encanto. É então que o destino se inclina, abrindo um portal feito de luz e metamorfose. A mulher sente o chamado profundo, um calor que nasce no peito e se espalha pelos braços, pela alma, até que o seu corpo se torna leve, luminoso, quase etéreo. As penas surgem como flores de fogo suave, os braços transformam-se em asas...