A Janela do Outro Mundo
Ela encostou-se à janela como quem toca um segredo, e o vento, cúmplice, abriu-lhe o cabelo numa dança de constelações antigas. Lá fora, o céu não era céu — era um oceano suspenso, um véu de planetas acesos a girar como lanternas de um reino distante. Um mundo inteiro respirava diante dela, com montanhas de luz, rios feitos de estrelas, e criaturas aladas que deixavam rastos dourados no silêncio azul da noite. Os seus olhos, grandes como luas novas, beberam aquele horizonte impossível, e por um instante o tempo parou, como se o universo esperasse a sua decisão. Ela estendeu a mão — e o planeta no céu pulsou, aproximou-se, chamou-a pelo nome num idioma feito de brilho e sonho. E ali, na janela entre dois mundos, ela percebeu que não era apenas espectad...