Brincando Com os Morcegos
Brincando Com os Morcegos Ela desperta quando o céu escurece, com os lábios manchados de lua e o sorriso afiado como promessa. Os morcegos descem em espiral, fiapos de sombra viva, e pousam em seus ombros como joias negras. Ela ri — um som frio, feito de seda e veneno. Com um gesto, os chama; com outro, os solta no ar, como quem brinca com pétalas de uma flor proibida. A noite inteira dança ao redor dela, obediente, encantada, pois sabe que aquela vampira não teme o escuro — ela o cria, o molda, o transforma em brinquedo. E enquanto os morcegos rodopiam, ela caminha leve, silenciosa, como se o mundo fosse apenas um salão de sombras feito para sua diversão eterna.