Rainha dos Animais Selvagens
Sob o véu antigo da floresta encantada,
ergue‑se a Senhora das Três Feras,
cabelos como vento, passos como luar.
Ao seu lado repousa o Lobo Negro,
guardião das sombras e dos segredos enterrados.
Dos seus olhos nasce a noite,
e da sua respiração, o frio das montanhas.
Pelos galhos altos desliza a Chita Dourada,
rápida como um relâmpago que decidiu ter forma.
Ela dança entre folhas e constelações,
traçando caminhos que só os espíritos entendem.
E diante dela ruge o Leão Solar,
coroado pelo fogo que nunca queima.
Seu peito é um tambor antigo,
ecoando o coração da terra.
A Senhora ergue a mão,
e as três feras se inclinam —
não por medo,
mas porque reconhecem nela
aquela que fala a língua que o mundo esqueceu.
E assim caminham juntos,
lobo, chita e leão,
sob o mesmo feitiço,
sob a mesma canção,
sob o mesmo nome que o vento sussurra:
Rainha dos Animais Selvagens.


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