Senhora das Águas

Nas margens onde o mundo respira devagar,  
ergue‑se a Senhora das Águas,  
envolta num véu translúcido  
que parece ter sido tecido pela própria lua.  

As águas se abrem quando ela passa,  
como se reconhecessem a mãe antiga  
que lhes ensinou a dançar.  

À sua volta flutuam flores encantadas,  
pétalas que brilham em azul, rosa e dourado,  
cada uma guardando um segredo  
que só a correnteza sabe contar.  

Ela toca a superfície do lago  
e círculos de luz se espalham,  
como se o tempo tivesse decidido  
respirar em ondas.  

Pequenos espíritos aquáticos  
despertam do fundo cristalino,  
trazendo perfumes de nenúfares,  
sussurros de rios distantes,  
e promessas de calmaria.  

A Senhora sorri —  
um sorriso que acalma tempestades  
e desperta jardins submersos.  

E assim ela reina,  
não com tronos,  
não com coroas,  
mas com a doçura líquida  
de quem transforma água em poesia  
e flores em eternidade.  

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