Brincando Com os Morcegos

Brincando Com os Morcegos

Ela desperta quando o céu escurece,  
com os lábios manchados de lua  
e o sorriso afiado como promessa.  

Os morcegos descem em espiral,  
fiapos de sombra viva,  
e pousam em seus ombros  
como joias negras.  

Ela ri — um som frio,  
feito de seda e veneno.  
Com um gesto, os chama;  
com outro, os solta no ar,  
como quem brinca com pétalas  
de uma flor proibida.  

A noite inteira dança ao redor dela,  
obediente, encantada,  
pois sabe que aquela vampira  
não teme o escuro —  
ela o cria, o molda,  
o transforma em brinquedo.  

E enquanto os morcegos rodopiam,  
ela caminha leve, silenciosa,  
como se o mundo fosse apenas  
um salão de sombras  
feito para sua diversão eterna.

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