A Tumba Outonal

A Tumba Outonal

As folhas caem como suspiros antigos,  
tingindo o chão de ouro morto.  
No centro do cemitério esquecido,  
ela caminha — lenta, pálida, inevitável.  

O vento outonal brinca com seu vestido,  
erguendo véus de sombra e poeira.  
Há algo de sagrado em seus passos,  
como se cada folha que toca  
recordasse seu nome.  

Diante da tumba, ela para.  
A pedra fria reconhece sua presença,  
e uma rachadura fina  
parece pulsar sob sua mão.  

Seus olhos, cor de crepúsculo,  
guardam histórias que o mundo esqueceu.  
Ela não chora — o outono chora por ela,  
em gotas de folhas secas  
que se acumulam aos seus pés.  

A mulher outonal murmura algo  
que o vento leva embora,  
talvez um lamento,  
talvez um chamado.  

E por um instante,  
a tumba parece respirar,  
como se respondesse.  

Pois ali, entre folhas mortas e silêncio,  
ela não visita o passado —  
ela o desperta.

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