O Encanto da Sombra Rubra
Ela não caminha — desliza,
como névoa em noite sem fim.
Vestida de vermelho profundo,
com olhos que sabem do sim.
Não tem sombra, nem batida,
mas o mundo treme ao passar.
Seu perfume é feito de sangue,
e de rosas que sabem murchar.
Flutua entre véus e silêncios,
como quem dança com a dor.
É vampira, é musa, é feitiço,
é promessa sem pudor.
Seu vestido toca o impossível,
como chama que não se apaga.
E quem a vê, já se perde,
como quem ama e não larga.
Ela não morde — ela encanta,
com um gesto, um olhar, um sussurro.
Porque o vermelho que veste
é desejo em estado mais puro.


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