O Lago dos Flamingos

À beira do lago onde o sol se dissolve em rosa,  
a mulher caminha com passos de bruma,  
como se cada gesto fosse um feitiço  
a acordar a água tingida de sonho.  

Os flamingos erguem-se, altos e serenos,  
com penas que parecem pétalas de aurora.  
Aproximam-se dela em silêncio,  
reconhecendo no seu olhar  
a mesma chama suave que vive neles.  

O vento toca-lhe a pele,  
e o lago responde com reflexos cor‑de‑rosa,  
como se o mundo inteiro respirasse encanto.  
É então que o destino se inclina,  
abrindo um portal feito de luz e metamorfose.  

A mulher sente o chamado profundo,  
um calor que nasce no peito  
e se espalha pelos braços, pela alma,  
até que o seu corpo se torna leve,  
luminoso, quase etéreo.  

As penas surgem como flores de fogo suave,  
os braços transformam-se em asas elegantes,  
e o lago, espelho de magia,  
acolhe a mudança com reverência.  

Ela ergue-se — agora flamingo,  
criatura de graça e brilho,  
e junta-se ao voo lento e majestoso  
dos que guardam o segredo  
entre o mundo humano  
e o reino das águas encantadas.  

E quando o crepúsculo fecha o seu véu,  
dois mundos continuam ligados  
pelo bater das asas dela,  
a mulher que escolheu a cor da liberdade  
e encontrou no lago dos flamingos  
a sua verdadeira forma de existir.  

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