À Beira do Rio
A mulher permanecia junto à margem do rio,
envolta pelo silêncio azul da tarde que se desfazia.
O vento tocava seus cabelos como quem lê um segredo,
e a água refletia um brilho antigo, quase memória.
Ela esperava — não se sabia o quê,
não se sabia quem —
mas o ar ao redor parecia saber.
Havia uma promessa suspensa entre as folhas,
um chamado que vinha de longe,
como passos invisíveis atravessando o tempo.
O rio murmurava histórias de outras eras,
de amantes que se encontraram sob luas perdidas,
de espíritos que caminhavam entre mundos.
E ela, com o coração aceso,
sentia que algo se aproximava
pela corrente suave que tocava seus pés.
Talvez fosse um ser de luz,
talvez um amigo de outra vida,
talvez apenas o destino
chegando com o som da água.
Mas ali, naquela margem,
o mundo parecia segurar o fôlego.
E a mulher, imóvel como um sonho,
sabia que a espera também é magia —
um portal que se abre
quando o coração decide ouvir.


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