Perdidos no Tempo

Perdidos no Tempo

Ela encontrou o portal numa noite sem estrelas,  
um arco de pedra pulsando como coração antigo,  
sussurrando eras que nenhum mortal recorda.  

A mulher gótica, envolta em véus de sombra,  
aproximou-se como quem reconhece um espelho.  
O tempo curvou-se ao redor dela,  
dobrando-se em espirais silenciosas.  

Quando tocou o portal, o mundo tremeu.  
Séculos se abriram como páginas rasgadas,  
e memórias que não eram suas  
invadiram seus olhos de lua escura.  

Ali, entre passado e futuro,  
ela viu versões de si mesma  
perdidas em mundos que nunca existiram,  
chamando-a com mãos de névoa.  

O portal a desejava —  
não seu corpo, mas sua alma inquieta,  
capaz de atravessar noites e séculos  
sem perder o brilho do abismo.  

E quando ela deu o primeiro passo,  
o tempo se partiu em silêncio,  
engolindo-a como quem acolhe  
uma filha que sempre pertenceu ao impossível.  

Agora, dizem que ela vaga entre eras,  
nem viva, nem ausente,  
uma sombra elegante caminhando  
por corredores que nenhum relógio alcança.  

A mulher gótica tornou-se lenda,  
a guardiã do tempo quebrado,  
aquela que entrou no portal  
e nunca mais voltou ao mesmo mundo.

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