quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Poema-Solitario

Solitário

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!
Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta...
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!
Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços -
Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

Augusto dos Anjos

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Poema-Que Nesses Dias...

Foto de Gracinha Domingues. 
Que nesses dias
Onde a paz se fez paz
Onde a dor se calou
Onde a luz brilhou e trouxe alívio

Caminho livre , observando
E descobri, que
Nada acontece por acaso
Que aquela folha ao cair no chão tem seu propósito

Que não há trevas e nem céu
Há apenas um julgamento feito por nós mesmos
Há apenas você , se libertando ou condenando
E não há dor maior

Não existe céu
Não existe inferno
Nós mesmos somos responsáveis
Por criar o nosso céu ou inferno

E nesses dias, caminho livre
Libertando- me dos pecados
De uma alma triste e assolada pela vida
Sem amor, cheia de dor e sofrimento

Naqueles dias passados
Eu não tinha pecado algum
Apenas estava carregando o fardo dos outros
Mas nesses dias, onde caminho
Criei o meu céu

JuhDorphy