sexta-feira, 15 de junho de 2018

Poema-Retrato

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Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles
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segunda-feira, 11 de junho de 2018

O Deus do Tempo

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O Deus do Tempo

Do céu triste chove gostas de solidão
ásperas e cortantes
rasgam meu tempo presente
e penetram em meu coração
dos meus olhos frementes
lágrimas vermelhas e impuras caem 
rolam por minha face
contaminadas de saudades
de um passado que passou
meu futuro sem sentido
traz dor com minhas lembranças
que eras perfeito
és agora apenas o imperfeito doloroso
que feres meu ser
sem alguém , como alguém ser
se alguém não existe mais
talves tenha existido no passado
passado passageiro das lembranças
que torturam minha alma com saudades
que machucam meu coração
há tempos , em novos tempos por tempos atras.

Ignoticos
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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Poema Gotico, Psicologia de Um Vencido

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Psicologia de Um Vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Produndissimamente hipocondríaco, 
Este ambiente me causa repugnância... 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 
E há-de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos
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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Poema,a Doçura de Um Anjo

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A Doçura de um Anjo

Perdida entre as asas de um Anjo.
Não consigo distinguir o que é real.
Perdida na doçura de um encanto.
Arrepio-me ao sentir um estranho sopro no meu pescoço.
Mas me surpreendo na curiosidade que mostra o meu corpo.
Presa na tortura de uma razão.
Vencida pelos meus desejos.
Estou presa entre doçura e lágrimas.
Estou presa entre amor e o ódio.
Presos entre sorrisos e lágrimas.
Amarrados por nossos corações.
Que vá embora a saudade que me domina.
Que vá embora encontrar o seu destino
E venha mais uma vez iluminar o meu caminho.
Mostre-me a paz que eu vejo nos meus sonhos.
Perdida nas carícias de um Anjo.
Surpreendo-me no desejo que mostra o meu corpo
Quando sinto o teu sopro no meu pescoço.
Surpreendo-me ao me entregar às carícias de uma loucura.
Sinto em meu corpo a tortura do meu subconsciente.
Amarrada aos braços de um Anjo.
Entrego-me a uma loucura.
E que se vá as razões que ficam a dominar-me.
Estou presa na doçura de um Anjo.
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